quarta-feira, 28 de maio de 2014

14. Tema 12 - ÉTICA E PROGRESSO

Em seu trabalho "Discurso Sobre as Ciências e as Artes", Rosseau, desenvolve o pensamento de que o homem em seu estado natural é bom e que o atual desenvolvimento das ciências e as artes estão a o corromper, levando a necessidade do estabelecimento de um pacto social para fundar o estado com base na vontade da maioria e que a ciência e a arte teria o papel na atualidade de fazer com que as pessoas aceitem a escravidão, os costumes, em nome do desenvolvimento do comércio.

Rousseau, em minha opinião, adverte logo de início que pretende cumprir uma tarefa de levantar uma opinião difícil de ser defendida perante a academia e que certamente lhe trará muitos inimigos e contradições. Porém adverte que sua luta não é contra a ciência em geral, mas conta os efeitos destas dentro de um contexto em que ela se torna instrumento de uma corrupção do espírito humano, livre em seu estado natural. Esses efeitos nocivos para ele são inevitáveis e irreversíveis, sendo portanto útil utilizar as próprias ciências, de uma maneira apropriada, para combater esses efeitos e trazer de volta o homem para seus princípios desejados.

Os homens aderiram a ciência e as artes, a desenvolveram, pois esta fazia com que todos se interpenetrem, gerando constumes comuns, desenvolvendo culturalmente, mas que isso trouxe uma homogeneização, refinamento e docilidade, que foram aos poucos e de forma imperceptível tomando conta da sociedade, na medida em que esta era retirada de seu estado natural, "parecendo que todos foram tirados de um mesmo molde". Essa homogeneidade artificial, no entanto oculta os vícios, a traição, a dissimulação, etc...

Procura-se assim, questionar a perfeição das ciências, costumes e da Europa dos século XVIII, vista de fora como sinônimo de perfeição e homogeneidade, mas que de fato está corrompida por vícios. As Artes e a ciência, na opinião de Rousseau, trouxe um enorme prejuizo para as virtudes de países antes heróicos e que se corromperam no luxo e perderam suas virtudes.

Contemporaneamente, o discurso de Rousseau, nos faz refletir sobre os limites do nosso maravilhoso progresso científico, cultuado na civilização ocidental como um valor absoluto e que nos traz a civilização, gerando em nós a sensação de que devemos impor a todos nossos grandes feitos científicos, chegando ao caso mais exarcerbado, de países como os EUA promoverem guerras sobre a alegativa de tirar outros povos da barbárie. Este sem dúvida foi parte do discurso construído para justificar as guerras do Afeganistão, Iraque, Libia, onde, sob o pretexto de salvar esses povos de uma suposta barbárie e de líderes fanáticos, tiveram seus países invadidos e saqueados, suas soberanias violadas por guerras para atender principalmente interesses econômicos.

Guardadas as devidas proporções, poderíamos afirmar que Rousseau, de forma visionária, pode chamar atenção para a necessidade de realitivisarmos os efeitos do progresso científico, e combatermos sua face predatória e impositiva sobre os homens, sendo as ciências e as artes, na atual sociedade um instrumento de imposição das classes que controlam e utilizam esse progresso para interesses que muitas vezes são contrários aos pensamentos éticos e aos interesses de grande maioria da humanidade.






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